O magnésio participa de mais de 300 reações bioquímicas no corpo, incluindo produção de energia, contração muscular, transmissão nervosa e síntese de proteínas — mas é um dos minerais mais negligenciados na dieta moderna. Estima-se que boa parte da população não atinja a ingestão diária recomendada, mesmo sem apresentar sintomas óbvios de carência, o que faz desse mineral um dos "deficiência silenciosa" mais comuns hoje.
Décadas de agricultura intensiva empobreceram o solo de muitos minerais, incluindo magnésio, o que reduz a quantidade presente até em vegetais que deveriam ser boas fontes. Some a isso o consumo elevado de alimentos ultraprocessados (praticamente sem magnésio), o estresse crônico (que aumenta a excreção do mineral pela urina) e o consumo excessivo de álcool e cafeína, e temos uma combinação perfeita para deficiências generalizadas, mesmo em quem come relativamente bem.
Cansaço persistente mesmo dormindo o suficiente, cãibras noturnas frequentes, dificuldade para relaxar antes de dormir, irritabilidade, tensão muscular e até enxaquecas frequentes podem estar ligados a níveis baixos de magnésio — sintomas que muita gente atribui erroneamente ao estresse do dia a dia, sem associar à alimentação.
Folhas verde-escuras (espinafre, couve, acelga), oleaginosas (castanha-do-pará, amêndoas, castanha de caju), sementes de abóbora e girassol, banana, abacate e chocolate amargo (acima de 70% cacau) são boas fontes naturais. Leguminosas como feijão preto e lentilha também contribuem de forma relevante. O problema é que o solo empobrecido e o processamento excessivo dos alimentos reduzem drasticamente a quantidade disponível na dieta atual, mesmo em quem consome esses alimentos regularmente.
Esse mineral participa da regulação do neurotransmissor GABA, responsável por acalmar o sistema nervoso e preparar o corpo para o sono. Por isso, sua suplementação (geralmente na forma de glicinato ou bisglicinato, mais bem absorvidas e com menor efeito laxativo que o óxido de magnésio, versão mais barata e comum) é comumente associada à melhora na qualidade do sono quando tomada cerca de 30-60 minutos antes de deitar.
Para quem pratica exercícios regularmente, o magnésio tem papel direto na contração e relaxamento muscular — deficiência do mineral está associada a mais cãibras durante e após o treino, além de recuperação muscular mais lenta. Atletas e praticantes de atividade física intensa têm necessidade ligeiramente maior do nutriente, já que parte é perdida pelo suor.
Qual a melhor forma de suplemento de magnésio? Glicinato e bisglicinato de magnésio têm melhor absorção e menor efeito colateral digestivo comparado ao óxido de magnésio, versão mais vendida por ser mais barata.
Posso tomar magnésio todos os dias? Sim, em doses adequadas (geralmente 200-400mg por dia) é seguro para a maioria dos adultos, mas pessoas com problemas renais devem consultar um médico antes.
Como qualquer suplemento, o ideal é buscar orientação profissional antes de começar — mas ajustar a alimentação para incluir mais fontes naturais de magnésio é um passo seguro que qualquer pessoa pode dar hoje mesmo.
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